Os deseducadores das massas

Acabei de ver a capa do caderno especial "Dinheiro & Ócio" do Diário Económico de ontem 7-Abril, que com um título sugestivo como "Crianças Prodígio - O que fazer para ter uma" inclui uma ilustração fantástica.
Ilustração que parece ter sido retirada do videoclip "The Wall" dos Pink Floyd: um adulto a manipular duas crianças estereotipadas, com o objectivo (supomos nós) de as tornar "prodígio"
Uma figura paternal negra, impessoal e manipuladora de duas figuras de crianças-estereótipos: o jogador da bola e a menina artista. Num cenário onde a mãe-mulher é ausente.
E fiquei surpreendido pela total falta de visão de um editor que escolhe tal ilustração para um tema relacionado com crianças.
Não sou puritano nem tenho tendências censórias, sou um pai que ama os seus filhos e que preza as crianças e os seus direitos.
Também não posso dizer que me sinta chocado, digo apenas que sinto pena de quem - como o editor de um jornal - pensa assim sobre as crianças, e se alguém puder passar-lhe esta mensagem ficaria muito agradecido.
Sei que quem escolheu essa imagem não o fez de uma forma muito iluminada, mas como também sei que a escuridão é apenas uma ausência temporária da luz, ele ou ela verá em breve que poderia ter feito melhor - muito melhor.
E perceberá que as crianças são tudo menos seres manipuláveis ao bel-prazer de um qualquer adulto sinistro, de óculos escuros e gravata que manieta em vez de ajudar a crescer - como essa ilustração indica.
O que este e outros senhores não sabem, nem sonham, é que as crianças prodígio não são as que nascem para ser ensinadas ou domesticadas de acordo com matrizes obsoletas e empoeiradas. São sim aquelas que nascem para nos ensinar.
São estes senhores enfim...os grandes deseducadores das massas.




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